O cultivo de algodão colorido orgânico, no interior da Paraíba, está chamando a atenção. No assentamento Margarida Maria Alves, que fica no município Joaquim Távora, uma parceria entre a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e famílias agrícolas permite a realização deste plantio totalmente sustentável. A Embrapa-PB desenvolveu a semente. Foram duas décadas para desenvolver a espécie com cruzamentos de forma natural, sem mexer no DNA.
Do campo até a loja, o processo respeita o meio ambiente e a mão de obra. E, as famílias responsáveis pelo cultivo, além do produto, plantam também o próprio alimento.
A Embrapa cria as tecnologias para serem usadas nos plantios. O valor do algodão colorido orgânico é mais alto do que o branco convencional. O cultivo é feito com contrato de compra garantida por um grupo de empresas que pagam pela pluma o dobro do valor comparado ao da pluma do algodão tradicional. Luiz Rodrigues da Silva confirma: “todos do assentamento estão muito orgulhosos com esse trabalho”.
Algodão colorido orgânico economiza cerca de 85% de água
O algodão branco convencional precisa ser tingido. Isso já envolve uma grande quantidade de produtos químicos. Sua preparação também exige que seja lavado por diversas vezes, utilizando uma quantidade absurda de água em seu processo de produção industrial.
A Unitex é uma das empresas de tecelagem que utiliza o algodão colorido orgânico. “Com o uso do algodão colorido não há resíduo de produto químico. É feita uma única lavagem. A única coisa que fazemos é a lavagem. E o amaciante usado para isso já vem da própria semente do algodão”, contou o proprietário Roberto Soares.
Por precisar de apenas uma lavagem, em comparação ao algodão tradicional, há uma economia de água em, pelo menos, 85%. E, nesse caso, a água usada ainda é reutilizada.
Produção do algodão colorido orgânico ainda não atende à demanda do mercado
Um problema que os agricultores deste produto estão passando é a falta de mão de obra. Infelizmente, não há cultivo suficiente para atender grandes empresas de varejo, pois tudo o que se colhe já é destinado para pequenos empresários que trabalham com produto diferenciado.
Para suprir essa falta e alcançar grandes mercados, os agricultores do algodão colorido orgânico pedem para que outras famílias da região passem a cultivá-lo também, já que muitos ainda trabalham com o algodão branco convencional.
Esse tipo de produção já chamou a atenção de diversos empresários estrangeiros. O assentamento Margarida Maria Alves já foi visitado por africanos, chineses, japoneses e brasileiros de todos os cantos para conhecer esse cultivo totalmente sustentável.
Outras cidades da região também plantam o algodão orgânico colorido. No entanto, o assentamento de Joaquim Távora tem a maior colheita do produto, além de ser a única produção com certificado internacional de produto orgânico.
Exemplo de respeito com o meio ambiente e com os trabalhadores
Além do grande impacto ambiental pela enorme quantidade de uso de água, e ser responsável por grande parte da aplicação de inseticidas da agricultura, o plantio de algodão branco convencional também é conhecido pela falta de respeito pela mão de obra envolvida.
O plantio do algodão colorido orgânico é a prova de que existe sim uma alternativa sustentável e que respeite toda a comunidade envolvida no cultivo. Tanto as pessoas que trabalham para a existência desse produto, quanto o meio ambiente merecem respeito.
“Sustentabilidade só existe se houver integração das três dimensões do desenvolvimento sustentável: econômica, social e ambiental. Sem estes três pilares a sustentabilidade não se sustenta.” (USP)
O algodão colorido orgânico já foi reconhecido pelo Instituto Biodinâmico (IBD) e desde 2017 tem certificação internacional Ecocert (para atender os regulamentos mundiais). Os certificados levam em consideração, entre os requisitos básicos para a produção, se o cultivo cumpre o Código Florestal Brasileiro e as leis trabalhistas.
Você encontra essas informações a seguir nas reportagens feitas pela TV Comunidade Paraíba:
*Fontes: Comunidade Paraíba / Comunidade Paraíba / Eco Friendly Cotton/ Embrapa
*Imagem: Embrapa