*Por ONCA – Defesa Animal
Muitas pessoas têm dúvidas sobre a filosofia de vida dos veganos.
Abaixo, seguem as perguntas mais frequentes sobre veganismo (ou vegetarianismo estrito):
– O que é o veganismo?
Segundo a The Vegan Society, a primeira organização vegana oficialmente registrada, em 1944, define Veganismo como: “Veganismo é uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade com os animais – seja para alimentação, vestuário ou qualquer outra finalidade.”
Ou seja: uma filosofia de vida motivada por convicções éticas com base nos Direitos Animais, que procura evitar a exploração ou abuso dos animais através do boicote a atividades e produtos considerados especistas.
– Etimologia
O termo vem do inglês “vegan” (pronuncia-se vígân) foi criado em 1944, numa reunião organizada por Donald Watson (1910 – 2005) e outros fundadores da The Vegan Society e deriva do termo “vegetarian”.
Em português tornou-se o termo “vegano” (masc.) e “vegana” (fem.)
– Ideologia
Veganismo significa os princípios pelos quais o ser humano viva sem explorar os animais. É a prática e busca ao fim do uso de animais pelo homem para alimentação, apropriação, trabalho, caça, experimentação científica, confinamento e todos os outros usos que envolvam exploração da vida animal pelo homem. O vegano procura abolir qualquer prática que explore animais, zelando pela preservação da liberdade e integridade animal, no exercício da não violência, a busca por alternativas aos mais diversos produtos, o não consumismo, entre outras práticas. Veganos não consomem ou fazem uso de qualquer produto de origem animal (alimentar ou não), além de produtos que tenham sido testados em animais ou que incluam qualquer forma possível de exploração animal nos seus ingredientes ou processos de manufatura. Ou seja, não utilizam produtos de beleza, de higiene pessoal, de limpeza, remédios, etc. que não estejam isentos de crueldade.
Usamos em geral, os termos “animais não humanos” ou “seres sencientes”, para definir as espécies que não a humana.
Veganismo não é somente dieta. É um conjunto de práticas focadas nos Direitos Animais que, por consequência, adota uma alimentação estritamente vegetariana. Entende-se que os animais têm o direito de não serem usados como propriedade, e que o veganismo é a base ética para levar a sério esse direito, pelo mínimo de respeito a eles.
– Vestuário, adornos, etc.
Artigos em peles, couro, lã, seda, camurça ou outros materiais de origem animal (como adornos de pérolas, plumas, penas, ossos, pelos, marfim, etc.) são preteridos, pois implicam a morte e/ou exploração dos animais que lhes deram origem. Sendo assim, um vegano se veste de tecidos de origem vegetal (algodão, linho, etc.) ou sintéticos (poliéster, etc.).
– Alimentação
Veganos excluem da sua dieta carnes e embutidos, banha, vísceras, músculos, gelatina, peles, cartilagens, lacticínios, ovos e ovas, insetos, mel, peixes e outros animais marinhos e quaisquer alimentos de origem animal. Consomem basicamente cereais, frutas, legumes, vegetais, hortaliças, algas, cogumelos e qualquer produto, industrializado ou não, desde que não contenha nenhum ingrediente de origem animal.
– Medicamentos, cosméticos, higiene e limpeza
Veganos evitam o uso de medicamentos, cosméticos e produtos de higiene e limpeza que tenham sido testados em animais. Não tomam vacinas ou soros, mas podem violar os princípios veganos quando alternativas não estiverem disponíveis, ou em caso de emergência ou urgência. Alguns optam pela fitoterapia, homeopatia ou qualquer tratamento alternativo.
O vegano defende o surgimento de alternativas para experiências laboratoriais, como testes in vitro, cultura de tecidos e modelos computacionais.
São divulgadas entre a comunidade vegana extensas listas de marcas e empresas de cosméticos e produtos de limpeza e higiene pessoal não testados em animais. Em nosso website você encontrará acesso a estas listas também.
– Entretenimento
Circos com animais, parques aquáticos com exibições de animais, aquários públicos, rodeios, vaquejadas, touradas e zoológicos também são evitados pois implicam escravidão, posse, deslocamento do animal de seu habitat natural, privação de seus costumes e comunidades, adestramento forçoso e sofrimento.
Não caçam, não promovem nenhum tipo de pesca, e boicotam qualquer “desporto” que envolva animais não humanos. Muitos seguem o princípio político da não violência.
– Dia Mundial Vegano
O dia 1 de Novembro é marcado pelo Dia Mundial Vegano (“World Vegan Day”, em inglês), que é comemorado desde 1994, quando a Vegan Society da Inglaterra comemorou 50 anos de criação.
– O veganismo envolve a adoção de alguma crença religiosa ou espiritual?
Não. O veganismo não se assemelha nem envolve práticas e crenças religiosas. Qualquer pessoa pode ser vegano (a) e ser budista, católico, protestante, espírita, islâmico ou praticante de qualquer filosofia religiosa ou espiritual. A pessoa deixa apenas de apoiar e praticar atitudes que contribuem para a exploração animal.
– O veganismo envolve a adoção de alguma posição política?
Não, absolutamente. O vegano pode ter preferências políticas por qualquer forma de partidarismo, envolver-se ou não em militância política, como também ser politicamente neutro. A pessoa deixa apenas das práticas que contribuem para a exploração animal.
– O veganismo envolve a mudança de outros hábitos cotidianos, como estilo de música, diversão, roupas, brincadeiras, esportes, etc.?
Não. Como já mencionado, a única atitude é a adoção de atitudes e práticas que não envolvam o uso e exploração animal. Todos os outros gostos pessoais (estilo de vestir, músicas, diversão) que não entrem em conflito com a exploração e uso animal não têm razão de serem abandonadas, se não forem nocivas para você ou os outros indivíduos.
– Como vocês podem falar em nome dos animais? Como vocês podem afirmar saber o que eles querem ou deixam de querer?
De fato, nós não conhecemos as preferências de ninguém. Nós não sabemos que estilo de música você gosta de ouvir, que tipo de roupa veste ou como se diverte. Mas a experiência prática demonstra que todo ser senciente (com a capacidade de sentir) preza pela própria liberdade e o direito à vida. Nenhum ser senciente aceita ser aprisionado e nenhum quer morrer.
Quanto ao sofrimento animal, não há dúvidas. Estudos exaustivos, desde Charles Darwin, comprovam a capacidade de sentir dos animais. Todos os animais vertebrados possuem um sistema nervoso idêntico ao do ser humano, o que nos possibilita saber que sentem o mesmo que sentimos.
Assim, sabendo serem os animais não humanos também sencientes, o mínimo que podemos concluir é que eles têm o direito à liberdade, a não serem explorados nem mortos pelo ser humano.
E não precisamos falar a mesma “língua” de um animal para sabermos que não desejam sofrer. Basta analisarmos o seu comportamento. Por exemplo, se deixarmos uma galinha numa gaiola de granja, mas com a portinhola aberta para uma área livre de terra e grama, em qual dos espaços ela optaria em permanecer? Sabemos que é no segundo.
– Os animais não são seres humanos. Portanto, não podem ter direitos.
Direitos morais nunca podem ser negados por razões preconceituosas ou moralmente irrelevantes. Raça é uma delas, sexo é outra. Moralmente, negar direitos por motivo de espécie indica um preconceito do mesmo tipo que o racismo (distinção entre raças) e o sexismo (distinção entre sexos). O preconceito que distingue espécies -o que é praticado pela sociedade contra os animais- é chamado “especismo”. Portanto, toda vez que alguém trata menos importante um animal não humano apenas pelo fato de ele não ser um membro da espécie humana isso é um ato de especismo.
– Animais não têm direitos porque não têm capacidade de votar ou de escolher uma religião.
Não é porque animais não tenham todos os direitos, que eles não tenham nenhum direito. Por exemplo, não acreditamos que as crianças devam ter o direito de votar, antes de poderem ter o direito de ser tratadas com respeito. Está claro que seres humanos não precisam ter todos os direitos para poder ter algum direito. Mas, se nós não insistimos nesse requisito no caso dos seres humanos, não podemos insistir nele no caso dos seres não humanos.
– Os animais não entendem o que são direitos. Como então os direitos poderiam ser aplicados aos animais?
Apesar de isto certamente ser verdade -a de que animais não têm entendimento racional do que são direitos- isso não significa que eles não tenham direitos.
Se os benefícios morais existissem somente para os criadores dos conceitos morais, então a maior parte da humanidade estaria fora destes benefícios. Isso porque os conceitos ligados a direitos como entendemos hoje foram, na verdade, historicamente criados para proteger os interesses dos ricos proprietários de terras brancos e do sexo masculino. Com o passar do tempo, reconhecemos que o princípio da igual consideração requer que tratemos casos semelhantes de um modo semelhante, e subsequentemente estendemos os direitos (e outros benefícios morais) a outros humanos, ainda que estes não tenham noção do que são direitos. O mesmo princípio se aplica aos animais.
É irrelevante se os animais criaram ou se entendem o conceito de direitos. Não exigimos isso nem mesmo de humanos. Por exemplo, um humano mentalmente retardado, uma criança, um idoso em adiantado estado senil ou um doente em coma podem não ter a capacidade de entender o que é um direito, mas isso não significa que não devamos protegê-los com, ao menos, o direito básico de não serem tratados como recursos.
Não há razão, portanto, para não estendermos esses direitos a animais não humanos, que são, da mesma forma, como nós, seres sencientes (capazes de sentir -alegria, felicidade, medo, dor, etc.).
– Os animais não respeitam os nossos direitos, por isso não têm nenhum direito.
Não é o fato de que um animal pode atacar uma pessoa que lhe tirará todo e qualquer direito. Assim como uma pessoa com problemas mentais pode ferir outra pessoa e nem por isso todos os seus direitos serão tirados.
– Os animais não respeitam os direitos entre si. Eles atacam-se e se alimentam de outros animais.
Em primeiro lugar, embora alguns animais comam outros na natureza, muitos não comem. Muitos animais são vegetarianos. Além disso, nossa ideia de que “a natureza é cruel” não nos deixa ver que há muito mais cooperação na natureza do que conseguimos imaginar. Segundo, alguns animais são carnívoros e não podem existir sem comer carne. Nós humanos, no entanto, não estamos dentro dessa categoria. Segundo a conclusão dos maiores naturalistas, como Darwin, Cuvier, entre outros, e baseado em nossa própria fisiologia humana, o ser humano é um animal frugívoro, ou seja, que se alimenta predominantemente de frutos. Temos uma fisiologia, aliás, exatamente oposta a de um animal carnívoro e podemos viver perfeitamente sem consumir carne, como bem provam inúmeras tribos e populações pelo mundo, que demonstram inclusive uma maior longevidade.
Além disso, não baseamos nosso comportamento na forma como os outros animais vivem. Por exemplo, os cachorros copulam e defecam na rua. Isso significa que nós deveríamos seguir seu exemplo? Ao contrário, guiamos automóveis, vestimos roupas e usamos computadores, mesmo que outros animais não o façam. Por que então, nos basearmos unicamente neles na questão de nos alimentar? Isso não faz sentido.
É interessante observar que, quando convém, a pessoa tenta justificar a exploração dos animais com base numa suposta “superioridade”. E quando essa suposta “superioridade” atrapalha alguma coisa que deseja, de repente, o indivíduo apela para se descrever como apenas mais uma espécie de animal selvagem.
– Os animais não raciocinam nem têm consciência. Por isso não têm direitos.
Esse é um argumento usado em tempos antigos, defendida por René Descartes, filósofo francês. E é possível que ainda existam sistemas escolares que ensinem que os animais são seres “irracionais”. Mas, atualmente, no entanto, não há mais dúvidas quanto a capacidade de raciocínio e da consciência dos animais. Não falar um idioma ou não escrever não significa que uma pessoa não tem consciência do mundo à sua volta. Ainda assim, a questão que envolve os direitos dos animais não se refere ao nível de raciocínio ou de consciência que um animal possui, pois não atribuímos direitos baseados nesses critérios. Por exemplo: um bebê, uma criança ainda pequena, uma pessoa em estado de coma, uma pessoa em adiantado estado de senilidade ou uma criança com retardo mental na maioria dos casos não têm raciocínio ou consciência suficiente para se defenderem ou estarem cientes de riscos que possam passar. E, no entanto, ainda assim – ou também por esses motivos – recebem a nossa proteção. Pois a questão não é se raciocinam ou se têm consciência. A questão é que sofrem e, por isso, merecem serem protegidos. Assim, da mesma forma como não medimos o raciocínio e a consciência de uma criança ou uma pessoa para lhe conceder direitos e proteção, assim também, não medimos raciocínio ou consciência dos animais não humanos.
– Os animais não têm alma, por isso não têm direitos.
Essa objeção tem natureza religiosa. Vale notar que nem todas as religiões acreditam nisso. Muitas delas põem os animais não humanos exatamente em mesmo nível ao dos humanos. Entre elas, o judaísmo primitivo, originário do cristianismo e do islamismo, as maiores religiões atuais no planeta.
Porém, sabendo-se que animais sofrem, sentem frio, fome, angústia, medo, dor, etc, parece incoerente negar-lhes o direito porque uma religião o julga sem uma alma imortal. Ao contrário, uma teologia digna só poderia ensinar exatamente o oposto: uma vez que os animais não teriam uma vida após a morte, deveríamos fazer tudo que estivesse ao nosso alcance para assegurar que esta vida, a única que eles têm, seja tão longa e boa quanto possível.
– Deus nos deu o domínio sobre os animais.
Esta objeção também é de cunho religioso e baseada numa interpretação do livro cristão do Gênesis, capítulo 1, verso 28. Vale lembrar que esta não é uma interpretação aceita por muitos estudiosos. Porém, independentemente da forma de interpretar, obviamente, o termo “domínio” não significa “explorar, usar, abusar”. Ainda que o ser humano se considere “superior”, isso não lhe dá o direito de abusar dos seres “inferiores”, porque poder não dá direito. Se assim fosse, uma nação teria o direito de invadir e escravizar outra, apenas porque é “superior” a esta.
– O uso de animais faz parte da cultura da nossa sociedade, é uma “tradição” e considerado “natural”, e, portanto, justificado moralmente.
Ao contrário do que muitos pensam cultura e tradição não são coisas estáticas, imutáveis. Em toda a história, a cultura de cada sociedade sempre sofreu mudanças, à medida que os indivíduos iam tendo novos conhecimentos.
Por exemplo, em tempos atrás, era proibido sob pena de morte adotar uma religião diferente da do estado, as mulheres não tinham os mesmos direitos que os homens e escravos eram considerados propriedades. Nenhuma dessas práticas, certamente ousaríamos hoje defender em nome da “cultura” ou da “tradição”.
Lembremos que toda forma de discriminação na história da humanidade foi defendida como “tradicional”. A escravidão humana foi considerada uma tradição na maioria das culturas. A subserviência das mulheres aos homens também. O fato de algum comportamento poder ser caracterizado como tradicional não tem nada a ver com a questão de determinar se esse comportamento é moralmente aceitável ou não. Na verdade, quase toda forma de discriminação já praticada foi descrita como natural e como tradicional. Justificava-se a escravidão humana baseados na ideia de que ela representa uma hierarquia natural entre proprietários de escravos e escravos. Da mesma forma, a suposta superioridade masculina (o sexismo) já foi baseada na ideia de que ela representa a superioridade natural dos homens em relação às mulheres.
Além disso, não faz sentido qualificar como “natural” a maneira moderna de usarmos os animais como mercadorias. A fim de maximizar lucros, foram arquitetados ambientes e procedimentos completamente antinaturais para criar e confinar animais. A reprodução dos animais engorda e até mesmo a alimentação destes são totalmente antinaturais. São feitos experimentos bizarros onde se transplantam genes e órgãos de animais para humanos e vice-versa. Nada disso pode ser classificado como natural.
Quando alguém defende a imposição da dor e do sofrimento a um animal baseada no que é tradicional ou natural, isso geralmente significa que ela não pode justificar sua conduta de outro modo.
– Mas, os animais nas granjas e fazendas não são bem tratados?
As imagens nos comerciais de tevê que mostram franguinhos ou vaquinhas felizes são falsas. Mesmo nas grandes empresas, os animais vivem em constante sofrimento: espaços minúsculos, confinamentos inadequados, têm seu comportamento alterado, sofrem violência física, etc. A questão mais importante, no entanto, é que ainda que fossem bem tratados, não existe o que justifique seu sofrimento e suas mortes. A ética nos diz: animais não existem para nosso uso, não importa quão bem os tratemos.
– E as plantas? As plantas também não têm direito à vida e não sofrem?
Até onde se sabe as plantas não são sencientes. Elas não são conscientes e capazes de experimentar dor.
Os estudos científicos concluem que as plantas não são seres sencientes. Apesar de responder a certos estímulos exteriores, que podem levar a alterações no seu desenvolvimento ou crescimento, as plantas não sofrem nem possuem a capacidade de criar expectativas, nem de desejar não morrer. Elas não possuem sistema nervoso como os animais e os humanos e não há provas científicas de que sofram. As plantas não têm sistema nervoso central, endorfina, receptores de benzodiazepina, nem qualquer outro sinal de senciência. As plantas não têm interesses; os animais, sim. Ao contrário, quanto aos animais não há dúvidas de que são seres sencientes. Administra-se anestesia a animais antes de uma cirurgia – mas não se administra anestesia a plantas antes de uma poda.
– Não está o ser humano no topo da cadeia alimentar? Ele é predador.
O fato de seres humanos terem condições de dominar e criar animais para matá-los não significa que tenham direito a isso, da mesma forma que um patrão manter pessoas sob escravatura ou crianças em trabalho infantil só por ter forças para isso, também não lhe dá razão para tal prática.
– Mas e quanto a sociedades que ainda vivem de caça e pesca, como esquimós e índios? Elas devem ser orientadas para abolirem as práticas envolvendo animais?
Mas sem dúvida, a exploração de animais, assim como de mulheres ou de prisioneiros de guerra não pode ser justificada com frases como “Sempre foi assim”. A validade dos direitos animais vale para todos igualmente, mas devemos pensar primeiro no que nós devemos fazer, para depois pensar no que os outros podem fazer.
– É impossível evitar 100% o uso de animais no dia-a-dia.
O fato de que hoje você não possa evitar 100% o uso animal, não significa que você não possa evitar 80% ou 90%. Defender os direitos animais significa tentar não colaborar com a escravidão. Não conseguirmos hoje fazer isso em 100% das situações não nos torna menos empenhados nessa decisão. O importante é sempre estarmos buscando nos informar, procurando substitutivos para os produtos animais que consumimos e sempre buscarmos melhorias. A verdade é que hoje mesmo, nossa sociedade poderia substituir se não 100%, ao menos 99% do uso que se faz dos animais se assim desejasse. Por isso, cabe a nós, individualmente, adotarmos tal prática para que, somadas, nossas atitudes resultem em uma mudança positiva a favor dos animais. Existem vários exemplos, de que a posição da sociedade com relação aos animais, têm feito governos e empresas a substituir a utilização e a exploração de animais por outras formas.
– E quanto a ter animais domésticos, isso é errado?
A existência de animais “domésticos” sem dúvida é um grande problema. Não importa o quão bem nós os tratemos, eles sempre estarão limitados por nossas vontades. Diferentemente das crianças humanas, eles para sempre comerão na hora em que nós quisermos, farão suas necessidades na hora em que nós quisermos, sairão para passear (no caso de cães) na hora em que nós quisermos. Sem exceção, sejam cães, gatos, pássaros ou peixes, ou sua liberdade lhes foi roubada (no caso em que eles foram capturados de um ambiente natural), ou a liberdade de seus pais foi roubada (no caso em que eles nasceram em cativeiro).
Nesse último caso, laços familiares também foram rompidos. E não temos que continuar dando nosso dinheiro à gente que faz barbaridades como essas. Por isso, não devemos comprar animais.
Mas é lógico que, quando adotamos um animal abandonado, não estamos dando nenhum suporte à escravidão, mas sim nos comprometendo a dar uma vida o mais decente possível a um indivíduo que já se encontra numa situação de dependência. Nesse caso, não criamos um animal porque queríamos ter um animal, mas para amenizar a situação deste, que estaria na rua em risco, doente ou vítima de maus-tratos. É importante não nos esquecermos de castrá-lo, a fim de frearmos o uso de animais para entretenimento humano.
– Instituir animais de estimação como propriedade então, viola o direito básico (dos animais) de não serem considerados como coisas?
Sim. Os animais de estimação são vistos como propriedade. Cães, gatos, coelhos, roedores, pássaros, etc., são produzidos em massa, como na produção de uma fábrica e comercializados como mercadorias. E embora haja pessoas que tratam bem de seus animais de companhia, a maioria não o faz, simplesmente porque o animal não é visto como tendo qualquer direito. Basta percebermos a quantidade de animais de estimação abandonados nas ruas, largados em abrigos ou para outros donos. A grande maioria dos animais nunca passa a vida com seus primeiros donos. Todos sabemos dos casos de horror em que cães vivem a vida presos em correntes, confinados em espaços minúsculos. As ruas das cidades estão repletas de gatos e cães que passam fome e frio e são vítimas de doenças, maus-tratos ou atropelamentos.
Há pessoas que dizem que amam seus animais de companhia, mas de modo insensato, os mutilam, cortando seus rabos ou arrancando suas garras para não arranharem os móveis. Por mais que alguém trate bem seu animal de companhia isso não lhe garante muita coisa. Pois se, de repente, a pessoa mudar de ideia e vendê-lo ou passar a tratá-lo de forma menos digna, com tanto de que não o submeta a tortura e morte, estará ainda sob a proteção da lei. O abandono em um abrigo ou até mesmo uma eutanásia estão segurados ao proprietário de um animal.
Nas “fábricas de filhotes”, lugar onde cachorros são reproduzidos as centenas e tratados como mercadorias, as cadelas “matrizes” são forçadas a procriar repetidas vezes, cio após cio, até ficarem “gastas”, quando não são mais férteis e então, são descartadas, mortas ou abandonadas. Esse é só um exemplo do que alimentamos quando aceitamos que se institua o comércio dos animais de companhia.
– Devemos resolver os problemas humanos primeiramente, depois os dos animais.
Argumentam alguns: “Há tantos problemas humanos terríveis, como a fome, a guerra, a falta de assistência à saúde, o analfabetismo… Depois de resolvermos isso, então poderemos voltar nossa atenção aos direitos animais”. Qualquer um pode notar que essa é uma receita para a negligência perpétua dos direitos dos animais. Qualquer um de nós sabe que sempre haverá alguns problemas humanos a serem resolvidos. Assim sendo, portanto, jamais iríamos discutir o assunto dos direitos pertencentes aos animais.
Parece evidente que aqueles que usam esse argumento não estão sendo em nada sinceros. Na prática, as pessoas que usam essa objeção (nem todas, mas a maioria), apesar de seus discursos piedosos, quase nunca estão efetivamente envolvidas com esforços para resolver qualquer problema humano.
Além disso, essa ideia de uma disjunção entre os problemas animais e humanos é falsa. Como se fosse: ou você ajuda a resolver os problemas humanos, ou ajuda os animais. Este pensamento é absolutamente equivocado. Por exemplo, uma pessoa pode fazer esforços para erradicar o analfabetismo e não comprar vestes feitas de peles, couro ou lã. Ou pode se engajar em auxílio à vítimas da fome e não consumir carnes e laticínios. A grande parte das ações que podemos fazer pelos animais não exige tempo ou dinheiro. Aliás, as pessoas que se envolvem com ações humanitárias ficarão surpresas ao saber, por exemplo, que o não consumo de produtos animais (carne, leite, etc.) pode andar paralelamente a campanhas de erradicação do câncer. Ou que o não consumo de produtos animais pode andar paralelamente a campanhas de combate à fome.
– O que eu como ou visto é uma decisão pessoal minha. O que é bom para uns pode não ser bom para outros.
Que estilo de músicas você ouve, qual cor de camisa você veste ou de que forma penteia o seu cabelo, estas são decisões pessoais suas. Como outras tantas escolhas que fazemos ao longo da vida ou em nosso dia-a-dia. Mas, a partir do momento em que uma escolha afeta a liberdade e os direitos de outrem, ela deixa de ser apenas uma escolha sua. Não temos essa infinita liberdade como tais pessoas que usam esta objeção tentam fazer parecer. Quanto à expressão “o que é bom para uns pode não ser bom para outros”, o que ela quer de fato dizer é “o que uns preferem para si, outros podem não preferir”. Não se refere exatamente aquilo que é no sentido próprio de “bom”, de fazer o bem. Porque algo que é, verdadeiramente benéfica para uma pessoa, o é para qualquer outra.
Mas essa objeção da “decisão pessoal”, de que tenho direito de escolher “o que eu prefiro”, “o que me dá prazer” é falsa, porque nenhuma sociedade se baseia nessa filosofia. Todos os nossos gostos e preferências têm limites e eles surgem quando invadimos os direitos de outros. Por exemplo, nenhuma sociedade aceita o fato de que um estuprador violentar uma pessoa alegando que foi uma “decisão pessoal sua”, que o fez porque aquilo “lhe faz bem”, ou “lhe dá prazer”. Um pedófilo que usasse o mesmo argumento para abusar de uma criança, igualmente não seria absolvido. Portanto, “decisão pessoal” ou “prazer” não dá o direito.
Da mesma forma, dizer que matar para comer um animal ou para vestir a sua pele é apenas uma decisão pessoal ou porque isso dá prazer, não se justifica.
– Mas o animal que nasceu em uma granja ou laboratório foi criado para ser usado. Ele não foi tirado da natureza e não sabe o que é viver em liberdade.
Não importa se o animal de granja ou de laboratório nasceu já confinado. Sua fisiologia não muda e suas necessidades básicas continuam as mesmas. Todo animal tem a necessidade de se locomover, formar território, construir ninho, se relacionar, conviver com outros, formar bandos, etc. Todos os animais criados têm essas necessidades negadas.
Aceitar que podemos usar determinada espécie só porque foi “criada para aquilo” é o mesmo que aceitar que poderíamos criar crianças para que no futuro servissem como escravos – sim, uma vez que as teríamos criado para esse fim.
O fato de sermos, de alguma forma, responsáveis pela existência de um ser não nos dá o direito de tratar esse ser como um recurso. Se assim fosse, então poderíamos tratar nossos filhos como recursos. Afinal, nossos filhos não existiriam se não fosse pelas nossas ações, ou seja, nossa decisão de concebê-los como a de não abortar. E embora tenhamos certa liberdade para decidir como tratá-los, há limites: não podemos escravizá-los, explorá-los para prostituição, vender seus órgãos, etc. E também não podemos matá-los.
Lembremos que uma das pretensas justificativas para a escravidão humana nos Estados Unidos foi a de que aqueles escravos não existiriam se não fosse pela instituição da escravidão, pois os primeiros escravos trazidos a este continente foram forçados a se reproduzir e seus filhos considerados propriedade. Embora esse tipo de argumento possa nos parecer absurdo hoje, na época foi sustentado pelos exploradores. O que deve se questionar é a de que se instituir animais ou humanos como propriedade pode ser moralmente justificada.
– Faz diferença eu ser vegano (a)?
Sim, faz uma grande diferença. Para você ter uma ideia, cada pessoa que consome carne é responsável, durante sua vida, pela morte de cerca de 4 a 7 mil animais. Mesmo que já tenha consumido uma parte disso, você ainda pode salvar da morte milhares de animais. Menos consumo significa queda na produção. No caso, quanto menos pessoas procurarem pelos produtos animais, menos animais serão sacrificados. E você tomando essa atitude ainda encoraja outros a fazerem o mesmo.
– Eu não criei o problema. A sociedade funciona assim.
Não importa tanto quem criou o sistema existente. O que importa é que ele só existe porque pessoas o sustentam. É o seu dinheiro que sustenta a exploração animal. Os que exploram animais (em alimentos, cosméticos, diversão, etc.) não precisam de sua aprovação, precisam somente de seu dinheiro.
Alegar que “não criou o problema”, mas continuar consumindo é o mesmo que alguém comprar um produto pirata e dizer que não tem parte nenhuma na pirataria, quando na verdade, ela só existe porque há compradores.
– Se eu não comer carne/leite não vou ingerir proteínas/nutrientes suficientes e posso ficar doente.
Isso não é verdade. Não há nenhuma proteína ou nutriente presente na carne/leite/ovos que não seja encontrado nos outros alimentos. Por exemplo, uma mesma quantidade de feijão, substitui o valor de proteínas encontradas na carne. Aliás, abster-se de carne, leite e outros produtos de origem animal é recomendado para a prevenção de inúmeras doenças.
– Mas, o ser humano não é por natureza carnívoro?
Não. A fisiologia humana é claramente a de uma espécie frugívora (dieta baseada em frutos): sistema digestivo, dentes, estrutura mandibular, funções do corpo, etc., são completamente diferentes das de animais carnívoros. Portanto, a carne é um “elemento estranho” ao corpo humano. O organismo humano, por exemplo, não possui as substâncias digestivas para a carne, como possuem os carnívoros. O leite animal, da mesma forma é totalmente inadequado ao organismo humano.
– Mas, se a carne/ leite/ovos causam males à saúde, porque o Governo não alerta sobre seu consumo?
Por uma razão simples: o Governo lucra com os impostos gerados pelas indústrias de carne e, muitos políticos são donos de grandes fazendas. Assim como durante décadas o Governo permitiu a venda de cigarro sem informar a população dos males deste, continua fazendo o mesmo com os produtos animais, como a carne e os laticínios.
– E os meios de comunicação, por que não divulgam esses dados?
Diversos anunciantes de canais de televisão, jornais e revistas são grandes indústrias de carne, leite, ou outros tipos de exploração animal. As emissoras defendem aos interesses de seus anunciantes e não querem perder a conta mês a mês garantida por estas empresas. O máximo que os jornais chegam a sugerir é que “se reduza o consumo de carne”.
– Minha situação financeira não me permite ser vegano (a). A alimentação vegana é muito cara.
Se você prestar atenção, vai perceber que uma alimentação vegana é bem mais barata que uma dieta que envolva carne e leite animal. A princípio pode parecer que lanches e pratos prontos a base de carne e leite sejam mais baratos, mas com planejamento, você verá que a comida de origem vegetal é mais fácil e mais barata do que você imagina. Nas primeiras semanas é claro que você vai precisar descobrir uma loja de produtos naturais onde possa comprar com frequência e/ou marcas de produtos livres de insumos animais, mas é uma questão de tempo para se adequar.
– Eu até gostaria de mudar a minha alimentação, mas os produtos veganos são muito caros.
É verdade que existem produtos naturais e veganos de custo mais elevado. E em muitos casos isso é intencional, para exatamente desencorajar o seu consumo. Como assim? Um exemplo: empresas de laticínios costumam vender também caixas de leite de soja, mas com preços bem mais elevados que o leite animal. Na verdade, o leite de soja custa menos a estas empresas, mas o preço do leite de soja é “jogado lá em cima”, intencionalmente, a fim de manter o consumidor fiel ao leite animal. E assim acontece em outros casos.
Se você, no entanto, visitar quitandas, feiras ou casas de produtos naturais, vai descobrir que a alimentação vegana é bem mais prática e barata que a que envolve os produtos animais. Aliás, este é um dos motivos que levam o Governo a não encorajar o veganismo. Assim como o Governo lucra com os impostos do cigarro e das bebidas alcoólicas, por exemplo, também lucra com os altos impostos da carne, do leite e seus derivados. Frutas, verduras, cereais, no entanto, dariam muito menos impostos aos cofres públicos.
– A indústria de carne/leite/ovos, etc., dá emprego a muita gente. Acabar com ela traria prejuízo à economia do país.
Ao contrário do que se pensa, a pequena e média agricultura gera mais empregos do que a produção animal. Aliás, segundo dados oficiais da Organização Internacional do Trabalho, atualmente cerca de 80% do trabalho-escravo está na pecuária.
Além disso, conforme já observado por economistas, a questão é apenas a de, ao invés de o Governo subsidiar um segmento, destinar esse apoio a outro segmento. Por exemplo, ao invés de subsidiar a pecuária, que desmata, polui e desperdiça recursos naturais, bastaria o Governo, com os mesmos esforços, subsidiar a agricultura orgânica.
– E seu eu, então, comer menos carne e beber menos leite?
A questão não é “comer menos”, mas “não comer”. Pois, ainda que se deseje um pequeno pastel de carne, um boi todo terá que ser sacrificado. Comer “menos” carne ou beber “menos” leite significará que menos animais serão mortos ou que menos estarão sofrendo, mas que ainda continuarão a sofrer e a serem mortos.
Para se ter uma ideia, dentro dos níveis atuais de consumo, mesmo com uma redução em 50% dos produtos animais, o impacto ambiental ainda seria altíssimo e o significado à saúde humana seria pouco perceptível.
– Eu não tenho tempo para me envolver em atividades pelos animais.
A ideia de que “ou você ajuda a resolver os problemas humanos, ou ajuda os animais” não é uma verdade. Por exemplo: uma pessoa pode fazer esforços para erradicar o analfabetismo e ao mesmo tempo não comprar vestes feitas de peles, couro ou lã. Ou pode se engajar em auxílio a vítimas da fome e não consumir carnes e laticínios.
Aliás, as pessoas que se envolvem com ações humanitárias ficarão surpresas ao saber, por exemplo, que o não consumo de produtos animais (carne, leite, etc.) deveria justamente andar paralelamente a campanhas como a do combate ao câncer ou à fome, uma vez que o consumo de produtos de origem animal está diretamente relacionado à esses e outros problemas sociais.
Você não precisa de tempo, nem dinheiro e nem pertencer à uma grande organização para apoiar os Direitos Animais e colaborar com o fim do sofrimento e da exploração animal.
Comece na próxima vez que você for ao mercado, na compra de sua próxima roupa ou produto de higiene.
– Se você é a favor de abolir o uso de animais como recursos dos humanos, você não se importa mais com os animais do que com aqueles humanos sofrendo de doenças que possivelmente pudessem ser curadas a partir de pesquisas com animais?
Não, em hipótese alguma. Defender o direito de um não significa ignorar o direito do outro. Por exemplo, a defesa da abolição da escravatura não significava que aqueles que lutavam por ela se preocupavam mais com os escravos do que com os fazendeiros e proprietários daqueles.
O problema não é saber com quem nos importamos mais ou quem valorizamos mais; a questão é determinar se é moralmente justificável tratarmos seres sencientes (humanos ou não-humanos) como recursos, meios para fins dos outros. Por exemplo, geralmente não pensamos que deveríamos usar algum humano em experimentos biomédicos sem seu consentimento, apesar de que obteríamos dados muito melhores sobre doenças humanas se usássemos humanos em vez de animais, na experimentação. Uma vez que a aplicação de dados obtidos a partir de experimentos com animais ao contexto humano – supondo-se que estes dados sejam relevantes- é frequentemente difícil e imprecisa, poderíamos usar humanos, eliminando essas dificuldades. No entanto, não fazemos isso, porque, embora possamos discordar quanto a muitas questões morais, a maioria de nós concorda que usar humanos contra a sua vontade, como recursos em experimentos, está fora de discussão. Tampouco, ninguém insinua que nos importamos mais com aqueles que não queremos usar como recursos experimentais do que com aqueles que se beneficiariam desse uso.
– Mas os animais não se beneficiam da relação com os humanos?
Há aqueles que defendem que a domesticação dos animais foi uma consequência natural, que eles se aproximaram do ser humano porque tiravam vantagem de comida e abrigo mais fáceis e que hoje os animais que mantemos se beneficiam deste convívio com o homem. No entanto, certamente há uma enorme diferença entre filhotes órfãos ou animais desgarrados de bandos que por consequência de fatos isolados terem se aproximado das comunidades primitivas de humanos e o que passou a existir na sociedade moderna, fabricando raças para gerar um mercado de consumo. Além disso, dizer que os animais domesticados apenas porque recebem comida e abrigo estão se beneficiando do fato de conviverem com humanos seria o mesmo que justificar a posse de escravos, porque estes receberiam comida, abrigo e alguns outros benefícios.
– Se nós não explorássemos os animais, não teríamos uma sociedade tal como a conhecemos. Esse fato não prova que o uso de animais pelos humanos é justificado moralmente?
Não. Em primeiro lugar, a pergunta supõe que nós não teríamos criado alternativas ao uso de animais, se tivesse sido necessário criá-las porque faltassem animais não humanos ou então porque tomássemos a decisão moral de não explorá-los como recursos. Segundo, mesmo se o uso de animais fosse necessário para a sociedade tal como a conhecemos atualmente, o mesmo raciocínio poderia ser feito com respeito a qualquer atividade humana. Por exemplo, sem as guerras, a escravidão, o patriarcado e outras formas de violência e exploração, não teríamos uma sociedade tal como a conhecemos. O fato de que dada atividade fosse um meio necessário para aquilo que alguns de nós consideram fins desejáveis não prova que esse meio fosse moralmente justificado.
Os estadunidenses de hoje não desfrutariam o nível de prosperidade que desfrutam, se não fosse pela escravidão humana. Isso não quer dizer que a escravidão fosse uma prática moralmente aceitável.
– Ao igualar especismo a racismo e sexismo, você não está igualando animais, negros e mulheres?
Não. O racismo, o sexismo, o especismo e outras formas de discriminação são todos análogos, pois todos compartilham a noção errada de que alguma característica moralmente irrelevante (raça, sexo, espécie) pode ser usada para excluir seres da comunidade moral, ou para desvalorizar interesses, numa explícita violação do princípio da igual consideração. Por exemplo, o especismo e a escravidão humana são semelhantes, pois, em todos os casos, os animais e os humanos escravizados têm um interesse básico em não ser tratados como coisas, e ainda assim são tratados como coisas com base em critérios moralmente irrelevantes. Negar esse direito básico aos animais simplesmente porque eles são animais é como dizer que não deveríamos abolir a escravidão baseada na raça por causa da suposta inferioridade da raça dos escravos. O argumento usado para apoiar a escravidão e o argumento usado para apoiar a exploração animal são estruturalmente semelhantes: excluímos determinados seres da comunidade moral porque há alguma suposta diferença entre “eles” e “nós”.
– Defender os direitos dos animais significa que o especismo é “tão mau” quanto o racismo, o sexismo ou outras formas de discriminação?
De um modo geral, não é útil estabelecer um nível de gravidade entre os males. O fato de Hitler matar judeus foi “pior” do que o fato de Hitler matar católicos ou então ciganos? A escravidão é “pior” do que o genocídio? A escravidão que não é baseada em raça é “pior” do que a escravidão baseada em raça? O sexismo é “pior” do que a escravidão e o genocídio, ou é “pior” do que a escravidão, mas não é pior do que o genocídio?
Francamente, poderíamos considerar que pessoas que supõem assim, consideram que um grupo seja “melhor” do que outro.
De qualquer modo, todas essas formas de discriminação são terríveis, e terríveis sob diferentes aspectos. Mas todas têm uma coisa em comum: todas tratam os humanos como coisas sem interesses que devam ser protegidos. Nesse sentido, todas essas formas de discriminação – por diferentes que sejam entre si – são semelhantes ao especismo, que tem como resultado o fato de tratarmos os animais como coisas.
Há ainda algumas pessoas que argumentam que, ao dizermos que alguns animais têm mais habilidade cognitiva do que alguns humanos, tais como os gravemente retardados ou os extremamente senis, estamos igualando esses humanos aos animais e caracterizando-os de um modo desrespeitoso. Longe disso. Por séculos temos justificado o fato de tratarmos os animais como recursos porque, supostamente, eles não possuem alguma característica que nós possuímos. Mas alguns animais têm uma característica “especial” em um grau maior do que alguns de nós, e alguns humanos sequer têm tal característica. O ponto essencial é que, embora uma característica em particular possa ser útil para alguns propósitos, a única característica exigida para o valor moral é a senciência. Nós não tratamos, nem devemos tratar, humanos deficientes como recursos de outros humanos. E se realmente acreditamos que os animais têm interesses moralmente significativos, então temos de aplicar o princípio da igual consideração e não tratá-los como recursos também. O argumento a favor dos direitos animais não diminui o respeito pela vida humana; ao contrário, aumenta o respeito por todas as formas de vida.
– Não é verdade que Hitler era vegetariano? O que isso nos diz sobre os vegetarianos?
Bem, com relação particularmente a Hitler, a maior parte dos historiadores que se dedicaram a estudar a vida do líder nazista concordam que Hitler não era vegetariano, como Richard Schwartz, Robert Payne, Albert Speer, John Toland e outros bem conhecidos biógrafos de Hitler que apontam que, apesar de que seu médico lhe receitara a dieta vegetariana por causa de problemas estomacais crônicos, sua principal dieta foi centralizada na carne, com predileção por salsichas bávaras, presunto e fígado.
Lucas Dione, cozinheiro europeu que foi testemunha ocular da alimentação de Hitler, disse em seu livro Gourmet Cooking School Cookbook (1964) que o prato predileto do líder alemão era pombo recheado.
Além disso, argumentam os biógrafos que se Hitler tivesse sido um vegetariano ele não teria proibido organizações vegetarianas na Alemanha e nos países ocupados.
Mas vamos considerar que ele tivesse mesmo o sido. Ainda assim, isso não significaria nada de mais. Muitas pessoas adotam o vegetarianismo somente em razão de que este é uma opção saudável ao organismo. E de fato, qualquer um que se preocupe com sua saúde, deveria adotar o veganismo (ou vegetarianismo completo, como também é chamado). Pois uma verdade não deixa de ser uma verdade pelo fato de que um criminoso a pronuncie ou adote. A propósito, muitos criminosos são praticantes de bons hábitos e nem por isso estes deixam de ser um comportamento correto. Por exemplo: só porque um criminoso não beba, não fume e pratique exercícios físicos regularmente isso não significa que estes hábitos sejam incorretos.
Além disso, devemos lembrar que o vegetarianismo, em muitas vezes trata-se apenas da questão de saúde. O veganismo vai mais além, e envolve princípios éticos.
– Onde você traça o limite quanto a quem pode ter direitos? Os insetos têm direitos?
O limite seguro para aplicarmos direitos certamente seria na senciência, uma vez que estes têm interesses pessoais. Alguns argumentam que para os insetos, por exemplo, seria difícil se traçar um limite de senciência. Mas o fato de eu não saber onde, exatamente, traçar o limite, ou de talvez achar difícil traçar o limite, não me dispensa da obrigação de traçar o limite em algum ponto, nem me autoriza a usar os animais como eu bem desejar. Embora talvez não saibamos onde exatamente começa a senciência dos insetos, nós realmente sabemos que vacas, porcos, galinhas, cavalos e camundongos são sencientes. Ou seja: o fato de não sabermos onde traçar -ou de que seja difícil traçar- o limite em alguma questão de moralidade não significa que não devemos traçar nenhum.
Por exemplo, embora existam discordâncias sobre a extensão dos direitos humanos sobre saúde, educação, etc., não deixam de haver limites que impeçam a escravização, tortura, morte, etc.
– Se quisermos tratar interesses semelhantes de modo semelhante, nosso reconhecimento de que os animais têm o direito básico de não ser propriedade significa que o aborto também deveria ser proibido?
O aborto suscita várias questões difíceis, particularmente por causa da dimensão religiosa da controvérsia. Muitos daqueles que se opõem ao aborto acreditam que a alma surge no momento da concepção. Para essas pessoas que são contra o aborto, o fato de que um feto ou um óvulo fecundado não seja senciente é irrelevante; o feto tem “interesses” espirituais e é considerado um ser moral pleno aos olhos de Deus, tão logo possua uma alma.
Outros fatores complicadores nestes portes dificultam a discussão sobre aborto. Mas o fato de não se chegar a um consenso sobre o antes do nascimento não diminui os direitos daqueles que já estão nascidos e são sencientes. Da mesma forma, sabemos que os animais já nascidos estão conscientes e não desejam sofrer.
– Se nos tornarmos veganos, os animais sofrerão danos inevitáveis quando plantarmos vegetais, e qual a diferença entre, de um lado, criar e matar animais para comida e, de outro, matar os animais sem querer, como parte de uma agricultura baseada em plantas?
Se passarmos de uma produção de comida baseada em produtos de origem animal (carnes, leite, ovos) para uma produção de alimentos baseada em plantas, inevitavelmente deslocaremos, e possivelmente mataremos, animais sencientes quando plantarmos vegetais.
Entretanto, há com certeza uma significativa diferença entre, de um lado, confinar, explorar e matar animais para comida e, de outro, prejudicar os animais sem querer, durante a plantação dos vegetais, atividade que é, ela mesma, realizada com a intenção de prevenir a morte de seres sencientes.
Um exemplo: nós construímos estradas e permitimos que as pessoas dirijam automóveis. Em termos de estatística, sabemos que, quando construímos uma estrada, alguns humanos –que não sabemos de antemão quem são– serão prejudicados como resultado de acidentes automobilísticos. Ainda assim, há uma diferença moral fundamental entre realizar uma atividade que tem o dano ao humano como uma consequência inevitável, mas não intencional, e matar intencionalmente determinados humanos. De forma semelhante, o fato de que os animais possam sofrer danos (mesmo se não usarmos produtos químicos tóxicos e mesmo se tomarmos um enorme cuidado para evitar prejudicá-los) como consequência não intencional de plantarmos vegetais não significa que seja moralmente aceitável matar animais intencionalmente.
– Não é incoerente valer-se dos remédios ou dos procedimentos desenvolvidos por meio do uso de animais e, ao mesmo tempo, defender a posição dos direitos animais?
Não, não é. Aqueles que apoiam a exploração animal frequentemente argumentam que é incoerente aceitar os “benefícios” do uso de animais, mas criticar o uso de animais. Tal argumento, no entanto, não faz sentido. A maioria de nós, por exemplo, se opõe à discriminação racial e, ainda assim, vive em uma sociedade em que pessoas brancas de classe média desfrutam os benefícios da discriminação racial que ocorreu no passado. Mas aqueles que se opõem a discriminação racial não são obrigados a deixar dos países que se beneficiaram dela ou a se desfazerem de seus bens ou benefícios.
Observemos outro exemplo: suponhamos que fiquemos sabendo que a única companhia de abastecimento de água de nossa região emprega crianças e nós tenhamos objeção ao trabalho infantil. Somos obrigados a morrer de desidratação porque a companhia de abastecimento optou por violar os direitos das crianças? Claro que não. O que faremos? Continuaremos a beber a água, mas ao mesmo tempo, tomaremos iniciativas que levem a empresa de abastecimento de água a mudar seu comportamento com relação ao trabalho infantil.
Certamente poderíamos desenvolver drogas e procedimentos cirúrgicos sem o uso de animais, e muitos prefeririam que fizéssemos isso. Contudo, aquelas pessoas que têm objeções ao uso de animais para esses propósitos não têm controle, enquanto indivíduos, sobre as regulamentações do governo ou sobre as políticas corporativas concernentes aos animais. Dizer que essas pessoas não podem, coerentemente, criticar as ações do governo ou da indústria, enquanto obtêm benefícios a partir dessas ações, sobre as quais elas não têm controle, é um absurdo em termos de lógica, simplesmente porque o governo não oferece opções ou alternativas.
Os subprodutos animais são utilizados em uma grande variedade de coisas, inclusive no asfalto das estradas e em tecidos sintéticos. Mas a impossibilidade de evitar todos os contatos com a exploração animal não significa que não possamos evitar as formas mais óbvias e graves de exploração. Um indivíduo que não esteja perdido após um naufrágio, nem no topo de uma montanha sem acesso a socorro, tem, sem dúvidas, o poder de evitar comer carnes e laticínios, que são produtos que não poderiam ser feitos sem o uso de animais, ao contrário das drogas e dos procedimentos médicos, que poderiam perfeitamente ser desenvolvidos sem testes em animais.
– É provável que a tentativa de se conseguir um tratamento mais “humanitário” para os animais leve, eventualmente, ao reconhecimento de que os animais têm o direito básico de não ser tratados como coisas, e à consequente abolição do uso institucionalizado de animais?
Não, não é provável. As leis anticrueldade exigindo o tratamento humanitário dos animais têm sido populares em países como Estados Unidos e Grã-Bretanha por mais de duzentos anos e, no entanto, hoje são usados mais animais, e de modos ainda mais horripilantes, do que em outras épocas. Tem havido algumas mudanças, sem dúvida, mas em geral, tais mudanças pelas leis de bem-estar animal são puramente de fachada, iniciativa dos próprios produtores tentando ganhar mais “simpatia” da sociedade que nos últimos anos tem se escandalizado cada vez mais com a crueldade que antes era escondida por trás das paredes das granjas e matadouros.
Por fim, as tais leis “anticrueldade” poucos podem fazer, pois por estas próprias leis os animais ainda são vistos como propriedades dos humanos. Se, de fato, reconhecemos que o interesse dos animais em não sofrer é moralmente significativo, mas mantemos práticas de uso envolvendo os animais, tal comportamento é simplesmente hipócrita..
– Medidas como a Lei das Espécies Ameaçadas, a qual proíbe matar certas espécies de animais em perigo de extinção, não mudam, efetivamente, a condição de propriedade dos animais?
Não. A Lei das Espécies Ameaçadas e outras medidas semelhantes protegem somente certas espécies que são valorizadas pelos humanos para os fins dos humanos. Essas leis não reconhecem que os animais têm outro valor além daquele que os humanos dão, mas não proporcionam, de fato, direitos aos animais. Na realidade, essas leis não diferem daquelas que protegem uma floresta tropical, uma corrente de água, uma montanha ou qualquer outra coisa não senciente que os humanos, por qualquer razão que seja, decidem valorizar para propósitos humanos.
Essas leis consideram os animais iguais a qualquer outro recurso que desejamos preservar para o benefício das gerações futuras. Protegemos temporariamente animais como os elefantes, para que as futuras gerações de humanos tenham elefantes para usar, mas os elefantes são, no fim das contas, apenas mercadorias e, enquanto houver elefantes suficientes, estaremos dando mais valor a uma pulseira de marfim do que aos interesses de um elefante.
Um exemplo de que estas tais leis não dão o devido direito aos animais é de que, a proibição da matança de determinadas espécies são muitas vezes suspensas quando tais populações crescem acima do nível “normal”, justificada como sendo um tipo de “controle” dos animais excedentes. Mas nós não tratamos nenhum ser humano desse modo. Não consideramos apropriado exterminar os sem-teto para dar melhores condições de vida a cidadãos de melhores condições sociais.
Por fim, não é a lei, ou o Direito, que vai alterar o nosso pensar moral sobre os animais; tem de ocorrer o inverso.
– Se os animais têm direitos, isso não significa que teríamos de punir o ato de matar animais do mesmo modo como punimos o ato de matar humanos?
Certamente o processo penal não seria semelhante. Não teríamos um julgamento pelo júri, etc. Por exemplo, uma indenização para a família de uma vítima humana possivelmente não existiria no mesmo nível que para o assassinato de um animal que não vive em bando, etc. Mas o mais importante é que se nós, como sociedade, déssemos de fato importância moral aos interesses dos animais e reconhecêssemos nossa obrigação de abolir, e não meramente regulamentar, a exploração animal, muito provavelmente incorporaríamos esse modo de ver em leis penais que formalmente proibiriam e puniriam o tratamento dos animais como recursos.
– A questão de determinar se o direito básico a não ser tratado como nosso recurso deveria ser dado aos animais não é uma questão de opinião? Que direito alguém tem de dizer o que as outras pessoas não devem comer carne ou outro produto animal, ou de dizer de que outras maneiras as pessoas devem usar ou tratar os animais?
A questão dos direitos animais, como qualquer outra questão moral, não é uma questão de opinião pessoal. Essa pergunta é indistinguível, lógica e moralmente, da pergunta sobre a moralidade da escravidão humana ser, ou não, uma questão de opinião. Nós decidimos que a escravidão é moralmente repreensível não por uma mera questão de opinião, mas porque a escravidão trata os humanos exclusivamente como recursos alheios e os degrada à condição de coisas, privando-os assim de valor moral.
A noção de que os direitos animais são uma questão de opinião está diretamente relacionada à condição que os animais têm de propriedade dos humanos. Essa questão, assim como a maioria das outras aqui examinadas, aceita a legitimidade de se considerar os animais como coisas que existem apenas como meios para os fins dos humanos. Como consideramos os animais nossa propriedade, acreditamos ter o direito de determinar seu valor do modo que julgarmos adequado. No entanto, se não tivermos justificativa moral para tratar os animais como nossa propriedade, então a questão de determinar se devemos comer carne, ou usar animais em experimentos, ou lhes impor dor e sofrimento por esporte ou entretenimento não é uma questão de opinião, da mesma forma que a condição moral da escravidão humana também não é uma questão de opinião.
– É claro que o volume de sofrimento animal incidental ao uso que fazemos dos não humanos é horrendo, e não deveríamos estar usando animais para propósitos “frívolos”, por exemplo, o entretenimento. Mas como você pode esperar que as pessoas desistam de comer carne?
Esta pergunta, em si, revela mais sobre a história da relação humanos/animais do que qualquer teoria, e demonstra nossa confusão quanto a questões em morais em geral.
Muitos humanos gostam de comer carne. Eles sentem tanto prazer comendo carne que acham difícil manterem-se neutros quando consideram as questões morais concernentes aos animais. Mas a análise moral requer, no mínimo, que não deixemos nossas tendências óbvias interferir. A produção de animais para comida é a mais significativa fonte de sofrimento animal no mundo atualmente, e não há absolutamente nenhuma necessidade de que ela exista. De fato, a produção de animais para comida tem efeitos devastadores sobre o ambiente, e um número crescente de profissionais ligados à saúde tem afirmado que a carne e os outros produtos de origem animal são prejudiciais à saúde humana. Nós poderíamos viver sem matar animais e seríamos capazes de alimentar ainda mais humanos – os seres com os quais sempre dizemos nos preocupar, quando procuramos justificar a exploração animal – se abandonássemos completamente a criação de animais para comida.
Velhos hábitos são difíceis de ser abandonados, mas isso não quer dizer que eles sejam moralmente justificáveis. É precisamente nas situações em que tanto questões morais quanto fortes preferências pessoais entram em jogo que nós devemos tomar mais cuidado para pensar com clareza. Mas, conforme mostra o caso da carne, às vezes são nossas preferências brutais que determinam nosso pensar moral, e não o inverso. Já ouvi isto de muita gente: “Sim, eu sei que é moralmente errado comer carne, mas eu simplesmente adoro hambúrguer”.
Lamentavelmente para aqueles que gostam de comer carne, isso não é um argumento, e ter um “fraco” por carne não justifica, de modo algum, a violação de um princípio moral. Nossa conduta meramente demonstra que, apesar do que dizemos sobre a importância moral dos interesses dos animais, estamos dispostos a ignorar esses interesses sempre que isto nos beneficiar – mesmo quando o benefício não passa de nosso prazer ou conveniência.
Se levarmos a moralidade a sério, então temos de encarar frente a frente o que ela dita: se é errado se torturar cães por prazer, então é moralmente errado nós comermos carne.
– Eu li esta lista de perguntas e respostas e não fiquei convencido. Ainda acho que não devemos dar nenhum direito aos animais.
Esta lista não pode refletir toda a variedade de caminhos que levaram as pessoas a apoiar o conceito de Direitos Animais. Uma compilação mais completa incluiria, por exemplo, argumentos religiosos. Também poderíamos discorrer sobre outros aspectos na área do Direito. No entanto, o principal a se questionar é se você, realmente, analisou sinceramente a cada questão. Ou ainda: se você está, de fato, aberto para o diálogo. Pois lembre-se: ninguém que não queira aprender pode aprender. Pois a condição básica para que alguém possa conhecer e entender sobre algum assunto é que ela esteja, de fato, disposta a aprender sobre esse assunto. Porque, da mesma forma, alguém poderia também rebater: “Eu não veja nada de errado com a escravidão”, “Eu não veja nada de errado com o preconceito racial”, “Eu não veja nada de errado com a escravidão”, “Eu não veja nada de errado com a discriminação sexual”, “Eu não veja nada de errado com matar crianças e doentes mentais”, ou “Eu não veja nada de errado com os experimentos nazistas em humanos”.
Porque, se você não estiver disposto a aprender sobre o tema (como sobre qualquer outro tema), não importa quantos argumentos forem apresentados, e dados, provas, estudos e pareceres de especialistas, se você não estiver aberto para o diálogo, não poderá conhecer nem compreender qualquer assunto novo. Então, se você ainda não reconheceu a importância dos Direitos Animais, nós pedimos: repense e releia tudo novamente, mas desta vez, sem conclusões pré-definidas, sem apego a vantagens pessoais e disposto a aprender.
Fontes principais:
– ‘Jaulas vazias’; Tom Regan; Editora Lugano; 2006
– ‘Ética e animais’; Carlos Michelon Naconecy; EdiPUCRS
– ‘Introduction to Animal Rights: your child or the dog?’; Gary L. Francione; 2000
– ‘Libertação animal’; Peter Singer; Martins Fontes; 2010
Fonte: Onca – Defesa Animal
Imagens: divulgação
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