Mimi Veg – Tudo sobre o universo vegano

Entrevista com a musicista, compositora e ativista Eline Bélier

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Eline Bélier é musicista, compositora, intérprete, vegana, ativista em defesa dos animais, socorrista de humanos e de outros animais em situação de abandono, professora de música, de línguas nacionais e da língua internacional Esperanto.

Nas letras de suas canções abolicionistas e dedicadas aos animais, Eline expõe sua indignação às práticas violentas contra os animais não humanos que ocorrem ao redor de todo o planeta. Ela propõe ao ouvinte, através de suas letras e arranjos de impacto, sair da inércia moral e refletir sobre “o que fazem a gente acreditar” para se alimentar, embelezar e se divertir à custa da dor, do tormento e da morte de animais não humanos.

Assista ao vídeo (clique ) que Eline preparou para o nosso canal no Youtube (inscreva-se: ) e descubra mais sobre esta talentosa artista na entrevista abaixo:

1- Como você conheceu o veganismo e decidiu se tornar vegana?

Eline BelierTornei-me vegana há treze anos ao descobrir, através de vídeos e livros, os horrores da indústria de laticínios e após ter adotado uma alimentação ovolactovegetariana por aproximadamente quinze anos. Foi uma transição tranquila, feita muito conscientemente, a partir de informações que me tiraram da inocência, pois, antes, eu acreditava, por não haver refletido convenientemente, que me abster apenas da ingestão de corpos de animais era suficiente para evitar o sofrimento deles. Me envergonho desse equívoco.

2- Você sempre quis ser musicista? Em que momento decidiu unir a música ao veganismo?

A música está na minha vida desde a infância. Estudei piano clássico dos 5 aos 15 anos de idade, o que me deu base para me aventurar em outros instrumentos. Eline BelierComecei a compor ainda adolescente e, durante algum tempo, a música foi uma das minhas atividades profissionais. Hoje, todo o meu trabalho musical é realizado mediante uma única paga: a de sentir minha alma se encher de gratidão ao ver tocados os corações que a ele têm acesso.

Há aproximadamente seis anos, comecei a me perguntar o que mais poderia fazer para ajudar na conscientização sobre o grave equívoco da espécie humana, em relação ao tratamento dispensado aos animais, e às demais formas de vida no planeta. Como resposta imediata do Universo, certo dia, no momento em que eu estava compondo uma música, vieram-me os versos: “Um dia eu parei pra pensar / Tem muita coisa errada no ar / O que é que me dão pra comer? / Pra que tanto sangue em nosso viver? “, perfeitamente encaixados na melodia, “nascendo”, assim, a minha primeira canção animalista Um Dia Eu Parei Pra Pensar. Confira abaixo:

A partir daí, embora também escreva canções com outras temáticas e componha também músicas instrumentais, a temática animalista abolicionista vegana tem sido a tônica das minhas composições, como:

– Em Nome da Tradição

– O Corredor (Eline Bélier e Maga Lee)

– Não Matarás! (Eline Bélier e Marcos Favela)

Os clipes foram desenvolvidos em parceria com o cartunista Leandro Franco. Além dessas, há outras composições animalistas na minha página do soundcloud: Mon Radicalisme (Eline Bélier), Revolução do Coração (Eline Bélier e Luís Martini), Insight (Eline Bélier e Luís Martini), Na Pele (Eline Bélier e Maga Lee), Natal, Tempo de Amor (Eline Bélier e Maga Lee), Fácil ou Difícil (Eline Bélier e Luís Martini), O Velho e o Cachorro (Eline Bélier e Norma Shi), Vegana Edukado (Eline Bélier e Luís Martini).

Destaco a canção Sorriso do Vento (Eline Bélier e Luís Martini), um hino de amor e liberdade aos animais, na qual todos os músicos participantes são veganos.

Há também outras canções de temas diversos, e algumas outras estão em fase de elaboração de arranjo e em breve serão gravadas e publicadas. Só se inscrever na minha página do soundcloud para ouvi-las assim que forem publicadas.

3- De onde vem tanta inspiração para compor, interpretar e levar o seu belo trabalho ao alcance de todos?

Creio que tudo isso tenha fonte no meu grande amor pelos animais (amo os animais humanos, também… rs) e no meu desejo intenso de poder ser um grãozinho de areia na massa do concreto que alicerçará as bases da humanidade que sonhamos, onde o amor será a força motriz de todas as almas.

Eline BelierAcredito que todos temos um talento a compartilhar ou um ideal a realizar. Podemos nos dedicar aos velhinhos, às crianças, aos corações menos venturosos, aos que estão pelas ruas, àqueles que já não mais enxergam a própria luz, aos animais, à natureza, ao projeto de ajudar a construir um mundo melhor, à educação, ao jardim da nossa casa, à harmonização das relações de família, ao que queremos ver melhorado. Não importa qual seja o nosso ideal, mas apenas que ele seja amoroso, que o reconheçamos em nós e nos empenhemos em concretizá-lo. Isso nos levará a uma sensação de relativa plenitude, amenizando as frustrações, ante as atrocidades e injustiças humanas, e tornando, assim, natural o respeito ao ideal alheio, seja ele qual for. A partir disso, como se diz sabiamente por aí, o Universo vai conspirar para que o nosso propósito se realize.

4- Quais são seus trabalhos/projetos no ativismo através da música? Comente um pouco sobre cada um deles.

Basicamente, o cerne do meu ativismo está atualmente nas canções animalistas que escrevo, sozinha ou em parceria com outros letristas, compositores e músicos veganos, como o letrista Luís Martini, a compositora Maga Lee e o rapper Marcos Favela. Aliado a isso, faço o arranjo das músicas (normalmente, em parceria com o amigo e produtor Daniel Della Santina), gravo eu mesma alguns dos instrumentos, oriento a participação de outros músicos. Tenho realizado, também, parceria bastante profícua com o animador e cartunista vegano Leandro Franco, na produção de clipes de animação de algumas das minhas canções animalistas, com grande e positivo impacto em adultos, jovens e crianças.

Faço algumas apresentações musicais ao vivo, mas também participo de encontros e bazares veganos, disponibilizando, ao público presente, em uma mesa ou estande, Eline Belierminhas músicas e meus clipes. Me alegra, particularmente, ver crianças e jovens pararem para ver e ouvir a mensagem abolicionista das minhas canções.

Realizo, ainda, palestras musicais sobre veganismo e sobre a questão dos animais, em entidades religiosas, escolas e associações humanitárias, por exemplo.

Estou, também, coordenando um mapeamento dos músicos veganos no Brasil, para tentar aproximá-los e tornar a música um instrumento mais forte de ativismo e conscientização. Não houve a adesão esperada e apenas uma trintena atendeu ao chamado, mas, dos que se manifestaram, já foram viabilizadas várias parcerias, apresentações conjuntas, e, talvez o mais importante, o nascimento de grandes amizades, baseadas em ideais e talentos comuns. Para participar, basta me contatar (e-mail ou ), que eu envio a enquete.

Sob temática voltada à espiritualidade, tenho me apresentado em movimentos ecumênicos pela paz e em entidades espíritas, numa atividade denominada “harmonização musical”, que, em geral, antecede atividades de amparo espiritual, e de meditação e vibrações pela paz no planeta. O foco musical nesses eventos recai sobre as virtudes da alma: amor, compaixão, perdão, caridade e, procuro ainda, sempre aproveitar o ensejo para despertar o entendimento de que essas virtudes devem ser estendidas à nossa relação com os animais e com todos os seres.

5- Deixe uma mensagem para as pessoas que estão tentando se tornar veganas, mas acham que é “muito difícil”.

Costumo dizer àqueles que me consultam sobre isso que simplesmente se permitam abrir os olhos para as práticas cruéis e insanas a que os nossos (maus) hábitos conduzem, que assistam aos inúmeros excelentes documentários sobre o tema, que não virem o rosto ante as cenas dantescas da realidade dos animais em sua vida de tormentos sem fim e seu assassinato, para suprir os gostos pervertidos dos humanos, e que, após, avaliem o seu estado mental e as suas condições emocionais. Verão que, agindo assim, se sentirão mais aptos a fazer uma escolha conscientemente, seja ela qual for. Após isso, a maioria já se propõe interiormente a alterar a rota equivocada das práticas e hábitos adquiridos e perpetuados pela inércia reflexiva. Optam pelo veganismo, pois razão e coração se encontram agora na confluência da compaixão com o Amor (maiúsculo, mesmo!).

Eline BelierE quando a escolha é consciente, não há obstáculo que possa nos impedir de avançar. As dificuldades passam a ser combustíveis motivacionais. Dá mais trabalho, sim, pois temos que estar atentos a rótulos, informações nutricionais, etiquetas, bulas, composição, processo de teste de produtos, entre outros. Mas compensa muito, pois, ainda que a humanidade siga ensandecida em seu desamor, é muito boa a sensação de dormirmos com a consciência em paz, por saber que nenhum ser foi explorado, torturado, abusado, estuprado ou assassinado por nossa causa.

Obviamente, se escolherem adotar o veganismo como forma de vida, que não deixem de se informar também sobre as questões nutricionais, pois não será nada saudável adotar uma alimentação vegetariana estrita, baseada em junk food. Vão ficar doentes. Fazer feira é legal…e barato…rs…mas, se você tem a vida corrida, e é adepto de industrializados, pesquise e se informe. Hoje em dia, está bem fácil. E se tiver algum receio ou alguma particularidade em relação à saúde, não hesite em procurar um(a) nutricionista ou nutróloga (o) atualizado em relação ao vegetarianismo estrito.

Àqueles que estejam sofrendo preconceito ou bullying social (família, amigos, escola), que procurem apoio em grupos e comunidades veganas na internet, e que não façam guerra com seus algozes, é pelo seu exemplo que virá a paz.

Eline BelierEline Bélier é musicista, compositora, intérprete, ativista em defesa dos animais, socorrista de humanos e de outros animais em situação de abandono, professora de música, de línguas nacionais e da língua internacional igualitária e fraterna Esperanto.

Contatos com Eline Bélier:

– Site: https://soundcloud.com/eline-b-lier

– Email:

– Facebook:


*Fonte e imagens:
Eline Bélier



Discussão3 Comentários

  1. Parabéns, Eline, por dedicar seu talento à causa animal! Como sabemos, os animais nāo humanos merecem respeito e direitos, e suas músicas têm um papel fundamental em espalhar essa mensagem tāo importante. Adorei a entrevista!

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  2. Eline, adorei o contexto das perguntas e respostas. “Parabéns” pelo seu ativismo, e ao Mimi Veg, pelo info ativismo, por ser mais um instrumento de divulgação na causa.

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    • Olá, Françoise! Tudo bem?

      Que bom que gostou da entrevista, também adoramos!

      E agradecemos suas palavras carinhosas e de incentivo. Vamos todos juntos em prol dos animais e por um mundo melhor para todos!

      Grande abraço,

      Patrícia Arantes

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