A proposta de liberação da caça comercial às baleias foi vetada nesta sexta-feira (14), no último dia da CIB (Comissão Internacional Baleeira), em Florianópolis (SC). O país mais interessado na liberação da prática era o Japão, apoiado pela Islândia e Noruega. A nação asiática já realiza pesca baleeira, mas, de forma mascarada, alegando finalidade científica.
Foram 41 votos contra à caça e 21 favoráveis. Com o resultado, a proposta de liberação da prática foi rejeitada. Para que ela fosse acatada, era preciso 75% dos votos dos membros da CIB.
Os japoneses alegavam que, desde a proibição da atividade, em 1986, os animais já se recuperaram do risco de extinção.
Na última quinta-feira (13), foi aprovada a Declaração de Florianópolis, projeto que reforça a moratória da captura do animal. O documento prevê que a verba da Comissão seja repassada para a preservação das baleias, em vez da caça comercial.
Com a rejeição da liberação da caça, junto com a aprovação da Declaração de Florianópolis, as prioridades da comissão foram reorientadas, com foco total na preservação desses animais.
A aprovação da declaração foi comemorada por ambientalistas, ativistas e protetores da causa animal nas redes sociais. O deputado estadual Feliciano Filho (PRP-SP), que luta pela causa animal, considerou uma “vitória histórica”. Veja a comemoração dele.
Comissão Internacional Baleeira e a caça às baleias
O fórum é o único reconhecido pela ONU (Organização das Nações Unidas) criado em 1945 com o objetivo de definir estratégias de conservação para as baleias e outros mamíferos marinhos. O órgão se reúne anualmente e está em sua 67ª edição este ano.
É a primeira vez que o Brasil é a sede do encontro, que conta com a participação de 89 países.
A caça comercial às baleias foi proibida em 1986. O Japão, a Islândia e a Noruega pretendiam derrubar o veto, com uma proposta de “caça sustentável”. Os países enfrentaram uma forte oposição de outras nações, como a Austrália e grupos ambientalistas.
Os defensores dos animais argumentam que qualquer retorno à captura comercial pode fazer com que os seres marinhos voltem a correr risco de extinção.
Santuário de baleias
O Brasil, Argentina, Gabão, África do Sul e Uruguai também propuseram a criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul. A proposta, que é apresentada desde 1999, foi rejeitada por países que tentam legalizar a caça.
O projeto consiste na manutenção de um espaço dedicado à conservação de cetáceos, que envolve a gestão das ameaças às baleias na região.
*Imagem: divulgação